Há um descompasso no cronograma de obras da ponte bioceânica na fronteira de Porto Murtinho, mas o Brasil deve acelerar os trabalhos para acompanhar o ritmo do lado paraguaio

Por Agência 24h
Previstos para acelerar em abril, os trabalhos para a construção do acesso à Rota Bioceânica no lado brasileiro, na fronteira de Porto Murtinho só devem deslanchar mesmo entre junho e agosto, nas estimativas mais otimistas.
No dia 19 de março, durante a visita da ministra do Planejamento e Orçamento, ministra Simone Tebet, e o ministro Valdez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional, o engenheiro da obra binacional financiada integralmente pela Itaipu Paraguai, Paulo Leitão, informou que o lado brasileiro avançou em 40%, enquanto o cronograma no lado paraguaio alcançou 60%. De qualquer modo, permanece a previsão de conclusão de toda a infraestrutura e da ponte no final de 2025.
A ministra Simone Tebet chegou a anunciar o início das obras da alça de acesso à ponte para abril e afirmou que tentaria convencer o presidente Lula a fazer uma visita em Porto Murtinho. De lá para cá, no entanto, o descompasso no cronograma do lado brasileiro com o lado paraguaio ainda não foi resolvido.
Na semana passada o secretário Jaime Verruck, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), representou o Governo de Mato Grosso do Sul em reunião sobre as Rotas de Integração Sul-americana do Subcomitê de Integração e Desenvolvimento Sul-americano, realizada pela Secretaria de Articulação Institucional do MPO (Ministério do Planejamento e Orçamento) em Brasília.

“Tratamos do estágio atual do processo de licitação do acesso à ponte, bem como o andamento das obras, tanto no lado brasileiro, quanto no Paraguai. Na última reunião da Comissão Mista que acompanha os trabalhos em Porto Murtinho e Carmelo Peralta, vimos que o ritmo é mais acelerado no lado paraguaio, mas o próprio Governo Federal, o Governo do Estado e a bancada sul-mato-grossense têm se mobilizado para garantir as condições necessárias para aproximar o cronograma dos trabalhos nos dois lados da obra”, disse o secretário Jaime Verruck.
SEM PROMESSA
“Não é uma promessa, mas queremos trazer ainda neste ano o presidente Lula, quando a alça estiver em execução, para que possa ver a beleza que é essa obra e o quanto é importante para o Brasil”, afirmou Simone Tebet durante sua passagem por Murtinho em 19 de março.
As obras complementares e de acesso à ponte estão orçadas em R$ 472 milhões e preveem a construção de estrutura alfandegária e pavimentação de 13 quilômetros ligando a BR-267 à ponte. A demora para o início se deve, segundo a construtora que venceu a licitação, ao processo de elaboração do projeto executivo. A empreiteira também trabalha com a previsão de julho ou agosto, conforme havia previsto o secretário Jaime Verruck. Já nas obras civis da ponte, o ritmo segue devagar.
As obras do lado brasileiro da ponte ficaram praticamente paradas durante três meses e foram retomadas recentemente. Ela foi interrompida pela Receita Federal, que embargou a entrada de materiais de construção vindos do Paraguai por falta de documentação que comprovasse o recolhimento dos tributos de importação.
Bancada pela Itaipu e com orçamento inicialmente estipulado em U$$ 90 milhões, a ponte terá 1.294 metros e a previsão é que esteja operando em 2026, já que o cronograma das obras civis prevê conclusão em 2026. Já as obras no lado brasileiro devem ser concluídas no final de 2026, ou seja, um descompasso de um ano entre os dois lados da fronteira.